gilgamesh
   



BRASIL, Sudeste, NITEROI, Icaraí, Homem, de 15 a 19 anos, Portuguese, English, Livros, Música, Cinema
ICQ - 161612721
Histórico
21/11/2004 a 27/11/2004
07/11/2004 a 13/11/2004
24/10/2004 a 30/10/2004
17/10/2004 a 23/10/2004
03/10/2004 a 09/10/2004
12/09/2004 a 18/09/2004
05/09/2004 a 11/09/2004
29/08/2004 a 04/09/2004
22/08/2004 a 28/08/2004
15/08/2004 a 21/08/2004
08/08/2004 a 14/08/2004
25/07/2004 a 31/07/2004
18/07/2004 a 24/07/2004
30/05/2004 a 05/06/2004
23/05/2004 a 29/05/2004
16/05/2004 a 22/05/2004
09/05/2004 a 15/05/2004
02/05/2004 a 08/05/2004
25/04/2004 a 01/05/2004
18/04/2004 a 24/04/2004
11/04/2004 a 17/04/2004
04/04/2004 a 10/04/2004
28/03/2004 a 03/04/2004
21/03/2004 a 27/03/2004
07/03/2004 a 13/03/2004
29/02/2004 a 06/03/2004
22/02/2004 a 28/02/2004
Outros sites
Janer Cristaldo
Lew Rockwell
Warfare State
Plural
Gladstone

Votação
Dê uma nota para meu blog

 


Quadro de Rafael

Nota: 10

O autor não poderia ter melhor resumido a filosofia desses dois gigantes do pensamento grego e, por conseqüência, do pensamento universal. Platão, mestre de Aristóteles, aponta o dedo para cima, indicando que o conhecimento verdadeiro reside no mundo das idéias(mundo ideal), que nós alcançamos através da razão, único meio utilizável para não ser enganado pelos sentidos. Já Aristóteles estende seu braço e sua mão aberta indica o chão, tentando convencer seu mestre de que a separação entre mundo ideal e mundo imperfeito(ou realidade) acaba formando um fosso intransponível que torna impossível a comunicação entre os dois mundos, já que o mundo ideal é imaginado sem nenhum compromisso com o mundo real, pois qualquer correção que este sugira será sempre interpretada como erro dos sentidos. Dessa forma, o mundo ideal nada mais é que a tentativa do homem de compreender a realidade através de modelos idealizados que abstraem certos elementos da realidade. Esses elementos abstratos não se encontram em separado da realidade; ao contrário, só são existentes enquanto presentes na realidade. Somente a mente humana é capaz de separar forma e matéria, que existem em união. Dessa forma, quando a essência e o modelo ideal se mostrarem conflitantes com a realidade, deve-se corrigir esse modelo idealizado para que se aproxime mais à interpretação correta do mundo. Nunca um simples quadro conseguiu ou conseguirá captar tamanha profundidade.



Escrito por Drumond, Renato C. às 17h48
[] [envie esta mensagem]




Peixe Grande

Nota: 7.0

Voltei a ter contato com a barbárie. Explicando: como estava assistindo a filmes que requerem necessariamente um interesse intelectual ou ao menos uma apreciação de obras não convencionais, o público (pré)adolescente não compareceu a tais sessões no cinema. Mas por esse filme ter forte apelo comercial, e ser exibido num cinema quase cativo de tal público, a minha apreciação da obra foi levemente prejudicada por pessoas que faziam comentários inúteis e degradantes acerca do filme(me lembrou a noite em que compareci ao Rock in Rio, onde uma parcela do público começou a falar mal do show do R.E.M., dizendo preferir a Cássia Eller), e principalmente no começo onde adolescentes indecisas em relação ao local onde assistiriam o filme ficariam ziguezagueando entre os lugares da fileira onde eu me encontrava(até o momento, só eu estava naquela fileira), além de uma delas ligar constantemente o celular que emitia uma forte luz irritante.

Sobre o filme, é preciso deixar claro que a imaginação de Tim Burton em criar mundos fantasiosos é imensa. Seus cenários hipercoloridos, surrealistas revelam uma agradável visão infantilizada do mundo. Pode-se dizer que todos os filmes de Tim Burton, inclusive os sombrios, são filmes infantis, porque exagerados. Essa é uma estética que incomoda os desavisados mas que insere o espectador num mundo próprio, que possui sua própria lógica interna.

O filme possui ainda uma inovação em relação aos outros filmes de Burton: uma história real paralela ao mundo fantasioso. Parece que é uma tentativa do diretor em mergulhar nas próprias razões que o fazem criar mundos tão fantasiosos. Pela primeira vez em filmes de Tim Burton, vemos cenas críveis e interpretações não-afetadas.

Sabendo que o diretor revelara em entrevista o fato do filme ser meio autobiográfico na relação entre ele e seu falecido pai, não pude deixar de fazer a todo momento um paralelo, que me fez apreciar melhor a obra. Mas também me afligiu: até que ponto essa informação extra não interferiu no meu julgamento do filme?

Burton nos convence de que a fantasia é o registro do que há de melhor em nós, a forma de imortalizar nossas qualidades. Na contramão dos filmes hiperrealistas como "Lost in Translation", aqui encontramos uma apologia do extraordinário, do mágico. Fica a dúvida: quem vai prevalecer?

Como defeitos, observamos claramente as amarras do estúdio. Burton ainda fica devendo um filme verdadeiramente autoral, mas parece que está chegando cada vez mais perto disso. Talvez depois desse acerto de contas pessoal acerca da motivação da fantasia, possa extrapolar todos os limites da fantasia e não observar mais a necessidade do contraste entre realidade e fantasia. Talvez no próximo filme a fantasia possa absorver a realidade, ou o oposto acontecer, quebrando a barreira ainda existente nesse filme(se bem que no final há um indicativo de que será a fantasia que será absorvida pela realidade). Parece que o futuro nos reserva filmes ainda melhores.



Escrito por Drumond, Renato C. às 20h58
[] [envie esta mensagem]




Sobre cidades

A civilização é um processo. E, como processo, não é feito só de acertos, mas também de erros, da mesma forma que a vida não é feita só de alegria, mas também de tristezas. Os erros são tão importantes quanto os acertos, pois nos mostram caminhos que não devem mais ser seguidos, pois são ineficazes e falsos. Muitas das vezes grandes gênios seguiram caminhos errados, mas mesmo assim não deixam de ser gênios. Pois, mesmo errados, tiram conclusões importantes de seus erros.

Só erra quem questiona, e a civilização só sobrevive do questionamento, que leva à busca de novas possibilidades e saídas. Uma civilização que tenha medo de arriscar é uma civilização cansada, próxima da morte por falta de vontade. O conhecimento é igualado ao título, uma casta de sábios se forma e cristaliza uma dominação incontornável.

Que se arrisque e aja de maneira inconseqüente, pois só o excesso pode produzir as maravilhas gigantescas da mente humana!



Escrito por Drumond, Renato C. às 14h44
[] [envie esta mensagem]




O início de tudo

No início era apenas Caos

Não como a Mongólia ou o Laos

Era simplesmente uma desordem

Uma massa amorfa sem direção

Nenhuma vida inteligente ou mesmo burra

Nenhum planeta ou estrela

Um pouco de poeira, somente poeira

Alguns átomos e elétrons perdidos

Depois tudo virou Ordem

E com o passar do tempo

Virou Caos de novo, e virou Ordem, e virou Caos

Num ciclo que nunca termina



Escrito por Drumond, Renato C. às 21h23
[] [envie esta mensagem]




Thomas Hobbes

"O entusiasmo súbito é apaixão que provoca aqueles trejeitos a que se chama riso.[...]acontece mais com aqueles que têm consciência de menor capacidade em si mesmos e são obrigados a reparar nas imperfeições dos outros para poderem continuar a favor de si próprios. Portanto, um excesso de riso perante os defeitos dos outros é sinal de pusilanimidade. Porque o que é próprio dos grandes espíritos é ajudar os outros a evitar o escárnio e comparar-se apenas com os mais capazes."(grifo meu)



Escrito por Drumond, Renato C. às 20h11
[] [envie esta mensagem]




Sobre a chuva

Foi-se o tempo em que os filósofos andavam pela rua a ensinar sobre a ciência das coisas. O mundo ficou muito caótico para que a natureza seja reconforto. A única liberdade é a liberdade de prisão: construir um muro em volta de si para evitar o ataque dos bárbaros. Não se filosofa em meio à multidão, não se filosofa com a multidão; só se filosofa SOBRE a multidão. O ser humano é objeto de estudo. Evitar o contato não é questão de segurança, passa antes de tudo pela higiene. A massa é sempre a mesma, os defeitos se conservam: só a qualidade é inovadora. É preciso a pureza de criança e a desilução do velho para se filosofar da maneira correta. Não nos deixemos corromper pela malícia dos jovens nem pela motivação do adulto; conservemos nossa sanidade para que o louco seja sempre louco, para que a virtude seja sempre virtude.



Escrito por Drumond, Renato C. às 13h16
[] [envie esta mensagem]




Lost in Translation

Nota: 7.9

Ah, os diretores. Ou, no caso, a diretora. O que se passa na cabeça do criador? Que ele pode fazer o que bem entender? Que pode corromper a realidade e ultrapassar a barreira da estética? Não, não se pensa muito quando se faz um filme. A sétima arte também é a menor. E por isso deve se recolher em sua insignificância.

O grande mérito de "Lost in Translation" é a tentativa de adaptar uma história ao padrão que o cinema suporta. Cinema não é videoclipe, mas também não é teatro. Que o cinema tenha se acostumado com filmes que flertam com um dos dois extremos, é um claro sinal de como essa arte está sendo mal interpretada em sua capacidade e possibilidade. 

Enfim, o filme trata do banal. Um ator decadente vai ao Japão para gravar um comercial de um uísque. O título do filme vem daí: ele não entende japonês e muitas das vezes acaba se encrencando por isso. Mas a sensação de estar perdido é muito maior: ele está perdido no mundo. Que mundo é esse onde os gostos e as aspirações não se encaixam aos desejos de uma pessoa minimamente pensante? Que exagero de cores e tecnologias, que vem preencher o vazio de uma vida corrida e sem tempo para viver. E o cenário não poderia ser melhor do que o Japão: tudo é tão artificial, que a única alegria permitida é a alegria estereotipada. A sociedade do exagero ri alto demais para não ouvir o próprio grito de desespero. Uma cultura totalmente artificial, um povo que perdeu seus valores e tenta copiar outros que não funcionam mais no próprio país de origem (EUA). Pior: é justamente esse conjunto de (não)valores que conduz os EUA para um futuro sombrio.

A ausência do valor e a negação do sentido faz o homem tatear o mundo como se tivesse na escuridão. Numa reedição da famosa caverna platônica, o homem se deixa enganar a todo momento pelos sentidos, já que não conhece nenhuma verdade. Seu sentimento é de queda, mas não sabe de onde está caindo.

Esse desconforto perante o mundo é antes de tudo um desconforto consigo mesmo. Um desconforto por aceitar o mais cômodo: o dinheiro, o casamento, a diversão nonsense. Um acerto de contas interno que é sempre adiado e nunca resolvido. Falta vontade, e antes de tudo falta motivação. O mundo é sem sentido e nada possui valor. Cabe ao homem ao menos inventar um sentido e construir alguns valores que façam a vida parecer menos cansativa.

É nessa tragédia particular que o sentimento tateia o solitário e o conduz a conhecer outra solitária, também prisioneira de sua própria comodidade. A felicidade moderna é originada no medo da dor. É preciso arriscar, senão nada acontece. Mas arriscar o que, se tudo é vazio e carece de sentido? Mas o outro faz sentido, é preciso que faça sentido, senão o "eu mesmo" não faz sentido algum. Ele é igual a mim, estamos juntos na desgraça, talvez ele compreenda a minha dor e possamos unir forças e sair daqui. Ninguém se salva sozinho. Afinal, um indivíduo não se justifica sozinho, a não ser que seja um niilista e um inimigo da civilização.

O grande erro do clímax é um defeito comum em quase toda obra moderna: a negação do clímax. Parece que o artista deliberadamente sempre tenta gerar um anti-clímax que negue o clímax que acabou de ocorrer. Não é preciso sujar a obra com essa sujeira. A estética não é um pecado. Mas é até perdoável entendo-se a mensagem: não há salvação completa e definitiva. Mesmo assim, não precisava exagerar.

O filme flui lentameeeeeente. E isso é bom, pois cada momento é tão vazio e desolador que a mensagem é reforçada. Desconto um décimo da nota pelo fato de ter aparecido o microfone numa das cenas, faltou uma edição mais cuidadosa nesse caso.

Filme altamente recomendável, e que revelou uma atriz até então desconhecida para mim: a bela e encantadora Scarlett Johansson.



Escrito por Drumond, Renato C. às 22h22
[] [envie esta mensagem]




O eterno retorno de quem foi e já voltou

A vida é uma grande brincadeira. E esse espaço é um lugar privilegiado. Antes de mim, já esteve Ícaro. Só que ele teve suas asas queimadas rápido demais. Eu ainda estou subindo. Cuidado aí embaixo, quando estiver caindo...pois ninguém se salvará. Sempre lembrando que vocês me forçaram a fazer isso de novo.



Escrito por Drumond, Renato C. às 21h19
[] [envie esta mensagem]


[ ver mensagens anteriores ]