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Kill Bill Vol. 1

nota: 9.0
Qual é normalmente o caminho dos diretores de cinema, e mesmo dos artistas em geral? A tendência é que suas obras fiquem cada vez mais realistas e descritivas, em contraposição ao experimentalismo e idealismo da juventude. Que fica claro, desde o começo, que o uso do termo realismo não se limita apenas ao estilo que baseia sua visão do real na filosofia positivista, posicionamento tão comum no século XIX, mas a toda obra que tenha como característica principal a busca pela verossimilhança.
O caso de Tarantino é especial. Seu primeiro filme, "Cães de Aluguel", não poderia ser mais cru. O tempo do filme é arrastado, sem nenhum ritmo forçado pelas técnicas de filmagem(apesar de possuir uma narrativa não-linear, fato comum em todos os filmes do diretor), as conversas são informais, o sangue é seco e não esguicha. Dificilmente seria possível superar o resultado alcançado. Sabedor disso, Tarantino dá uma virada importante e dirige seu filme mais representativo, "Pulp Fiction", em que as técnicas cinematográficas são pela primeira vez aplicadas de forma a modificar a percepção da platéia. Mas tudo continua no terreno do real, só que dessa vez de maneira mais "saudável" e uma não-lineariedade mais presente. Depois ainda lançou "Jackie Brown", que passou meio batido, e hibernou durante 6 anos.
(6 anos depois)
Seu novo filme, "Kill Bill", manda a verossimilhança para o espaço. Realismo? O que importa é o surreal, o exagerado, o hiperbólico. De alguma forma, continua a saga dos filmes anteriores. Tarantino adora a cultura pop "trash", e suas obras nunca perderam a oportunidade homenagear este ou aquele ícone, principalmente nas falas dos personagens. Aqui, essas referências são externadas. "Kill Bill" é filme de kung fu dos anos 70 superproduzido e hipercolorido. Mas tudo se encaixa, inclusive cenas em formato anime, e a trilha sonora fenomenal. A história não se leva a sério, não quer passar nenhuma mensagem, nem implícita ou explícita, tem o objetivo de agradar esteticamente o espectador. E o principal elemento utilizado para alcançar essa satisfação é a violência explícita. Só que, por ser feita de maneira tão estilizada, o sangue torna-se engraçado. A violência aqui é a mesma contida num desenho do Pernalonga, se este tivesse sangue.
O lixo pop é aqui reciclado e transformado em arte. Uma arte que não se entende como externa ao mundo no qual se situa, mas que possui o objetivo de cristalizar os gostos e sentimentos desse mundo para a posteridade. Se você gosta do universo pop, mas de uma forma saudável, não se importa com sangue e considera essencial uma estética limpa e coerente, o que está esperando? Vá logo assistir "Kill Bill"!
Escrito por Drumond, Renato C. às 23h24
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De olhos bem abertos
O Gladstone voltou ao batente. Aproveitem enquanto ele está com "poucas" atividades e com tempo para atualizar.
Escrito por Drumond, Renato C. às 23h36
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