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Educação

Se eu defendo ferrenhamente a livre iniciativa, considerando que qualquer interferência num trato de mútuo acordo entre as partes no qual não exista mentira, violência e ato imoral, tomando uma posição rothbardiana moderada quanto ao funcionamento do Estado, no campo da educação sou ferrenho defensor de um sistema rígido e quase-inflexível. Que não se pense aqui que cultuo a rigidez pela rigidez: não sou um conservador no sentido tacanho da palavra. Todo modo de ação necessita de justificação, e nem sempre as normas de determinada época servem para outra. Mas NEM TODAS AS NORMAS SÃO FLEXÍVEIS. Algumas diretrizes que indicam o caminho para a verdade devem ser conservadas, sob a ameaça constante da humanidade precisar começar do zero sua escalada rumo a um conhecimento mais cerca acerca das coisas. Não é apenas por isso que defendo um sistema educacional rígido: é na fase na qual o ser humano ainda está a desenvolver suas capacidades intelectuais e conceitos primevos sobre a realidade que se pode conseguir algo produtivo no culto de valores e perspectivas de vida mais elevadas, oferecendo a virtude como caminho de atingir a felicidade e meio de evitar conflitos geradores de violência. Outro aspecto a ser observado é que uma cultura licenciosa alimenta a perda de liberdade. Explica-se: quando a educação é deixada de lado em nome de uma pseudo-liberdade, o projeto de ser humano, quando atinge a idade adulta, não se desenvolveu de maneira tal a assumir responsabilidade sobre sua vida e sobre seus atos, nem conhece meios de controlar seus instintos e paixões, não conseguindo desenvolver nenhum projeto de vida. Um homem incapaz de assumir a responsabilidade como indivíduo transferirá essa responsabilidade ao Estado, que através da força vai impor a virtude e a ordem. Só que o Estado é sempre coercivo, e quando se intromete em assuntos relativos à virtude e à busca da felicidade acaba impondo a adultos aquilo que só poderia ser ensinado a seres humanos em formação, causando então cerceamento da liberdade. A defesa de uma educação “livre” é, no fundo, a justificação e legitimação do aumento do poder estatal. A dificuldade de legalizar as drogas e de se aceitar o casamento homossexual e a grande pressão pela legalização do aborto podem ser apontados como sintomas crônicos dessa licenciosidade, assim como a difusão de diversos “estatutos” que defendem o cidadão nas mais diversas áreas de sua vida. Mas o defendem...de si mesmo! A aceitação pública passiva desse tipo de controle mostra a necessidade que o adulto possui da figura dos pais, exercida aqui pela ação estatal. Em outras épocas essa interferência estatal era vista com ressalvas, que podemos constatar através de rebeliões populares como a Revolta da Vacina.


Escrito por Drumond, Renato C. às 03h46
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